Você, meu lugar

Foto: Fábio Bittencourt

Poesia: Fabiana Massoquette

Desculpe-me por eu não gostar

Daqui , que é seu lugar

Desculpe-me por não me acostumar

Com esse novo habitat

Desculpa por eu sonhar

Com uma terra longe,

Além-mar

Mas seu olhar

Faz-me parar de imaginar

Em outra vez embarcar

Seguir a caminhar

Você me faz querer ficar

Faz-me acreditar que é você o meu lugar

Porto seguro para descansar

Sei que não encontro o melhor verso

E, por vezes, tropeço

Palavras e rimas,

Todo meu universo

Sua órbita puxa meu planeta mais pra perto

E se eu desisto de buscar?

E se construo em você meu lugar?

E se me acostumo com seu jeito,

A repousar tranquila em seu peito?

Ah,

A paz que você me traz

O bem que você me faz

A segurança, rede que não se desfaz

E mesmo que meus versos não sirvam

Para expressar a imensidão do que sinto

Eu não minto

Nem rimo sem necessidade

Não faço poemas por caridade

E por vezes,

Um “te amo” quase me escapa

Eu disfarço, um pouco sem graça

É que não sei com precisão

O tamanho exato

Sentimento que toma meu coração

Vastidão!

Território não demarcado

Lugar já reservado

Nos meus dias

Você,

Remédio pra qualquer agonia

Deixo de lado a melancolia

Beijos me derretem

Convertem carapaça de razão

Em um extasiar de emoção

Loucuras de uma paixão!

A beleza das palavras tristes


Por: Fabiana Massoquette

O cinza me apavora,

Devora!

Nubla meu coração

Ausente de emoção

Que por fora ri

Brincando de ser feliz

Mas por dentro chora

Solidão que devora

Cansado de partir

De tanto ir e vir

Despedidas e boas-vindas

Lágrimas sem fim!

Será que algum dia não mais sentirei saudade?

Será que verei meu futuro com claridade?

Rimas e versos não resolvem

Questões que me consomem!

Mas escrever é desnudar-me

Não que eu queira

Mas é minha arte

Minha maneira de afastar-me da dor

De transformá-la em flor

Adubando com a beleza das palavras tristes

Meu jardim de realeza,

Que ainda não existe

Em minha cama


Por: Fabiana Massoquette


Em minha cama, eu vejo promessa

Eu vejo um futuro sem pressa

Como uma remessa de esperança

Colorindo o ar


Em minha cama, eu vejo

Algo mais que desejo

Leve, como um gracejo

Sou eu, outra vez, a sonhar


Desde aqui eu vejo

Eu, outra vez, menino

Brincando, fazendo meu ninho

Em um andar, que mais parece flutuar


Em minha cama eu vejo

Desejos e sonhos

Eu vejo um ser risonho

E eu me proponho

Não me deixar escapar


Em minha cama, eu vejo o novo

Vejo um mar que não é revolto

Convidando-me para um conforto

Onde eu estou envolto

Em braços a me acarinhar

Por la mitad


Por: Fabiana Massoquette

Contigo viví por la mitad

Nunca quisiste ser mío

Nunca acepté amor por caridad

El calor de tu cuerpo, mi vacío

Entre nuestros besos, un hueco

Espejo del desasosego

Deseos, ganas,

Tumbados en la cama

Esperanza de una vida profana

Deseo ardiente

Fuego impaciente

Por concretar!

Con seguridad,

Tu amistad

Pero me cansé de tenerte por la mitad

Palabras, palabras, palabras,

Quiero actitudes más que nada

Tú, medianoche

Yo, mediodía

Yo lo hacía

Tú nunca te complacías

Ahora, me dices que has pensado

Y que todo ha cambiado

Qué estabas equivocado

Quieres darte por entero

Pero tu corazón es embustero

Pídeme sinceridad

Yo nunca te falté con la verdad

Tengo conmigo la esperanza

De un día en tus brazos

Vivir la bonanza

Seguir con seguridad

Sentimiento de lealtad

Sin, otra vez, jamás

Ser dejada para tras

País lejano


Por: Fabiana Massoquette


Olvido mi castellano

Mi pasado es un país lejano

Salgo a caminar

Necesito tiempo para meditar

A la orilla del mar

Mis poemas renovar

Por veces no puedo recordar

Tu mirada,

Tus gestos, tus palabras

Extraño el olor a la libertad

La paz, la seguridad,

Mi horizonte con claridad

Dentro de mí, la felicidad

Tiempo que no regresa

El futuro, una puerta abierta

La incerteza me inquieta

Me hace saltar las dudas

Y mismo que huya

Lo que cargo dentro es tan fuerte

Que por veces reviento

Pero después vuelvo a juntar

Todas las piezas en su lugar

Tú eres mi pasado de sueño

Y no quiero despertar

Porque sé que nunca vendrás

Pero mis recuerdos son míos

Y eso llena mi vacío

Hasta que todo cambie

Y guarde nuestros planes

En el cajón del olvido

Donde el amor duerme

Y sé que no se puede

Contar con la suerte

meu lugar


Por: Fabiana Massoquette

Quero sementes mágicas

E terra adubada

Para poder plantar meu futuro

Quero jardins de prosperidade

Árvores floridas de felicidade

Que cresçam além desse muro

Quero ver o sol

Em pescaria, lançar meu anzol

Até penetrar, sem medo, o abismo escuro

Quero colher frutos de amor

Arrancar ervas daninha de dor

Limpar, semear meu lugar

Antes da chuva chegar,

Entre abril e julho

Quero plantações de esperança

Sentir na face, a brisa da bonança

E que nas janelas de minh’alma

Eu vislumbre a calma

Enxergando sempre a estrela Dalva

Luz a me guiar

Busco a alegria de cada despertar

Ao saber que tudo ocupa seu lugar

Almejo construir meu paraíso

Sentir-me em casa, é o que preciso

Aqui ou ali, não importa

Pois meu futuro voa

Mesmo tendo uma asa torta

Sei que continuo escondida

Atrás da porta

Mas, faço valer o que importa

Aprendi, depois de tanto tempo,

Que posso ser como o vento

Seguindo com desprendimento

Parando quando dá vontade

Voando leve,

Desfazendo-me da saudade

E de qualquer contratempo

Porque meu mundo, de verdade,

Não está lá fora,

Mas aqui dentro


Na beira da estrada


Por: Fabiana Massoquette


Luzes no cais

Não afastam o perigo

Dos temporais

Fantasmas caminham pelos umbrais

E riem dos meus medos

Brincando com meus segredos

Acho que jamais

terei paz como outrora

Tudo me devora

Já nem consigo ver a aurora

do meu mundo que se refaz

Eu faço rimas,

Perco-me em paradigmas

Encontro-me em cada esquina

Assim, monossílaba!

Sinto minha vida parada

Vejo-me ali, sentada

a beira da estrada

sei que pareço desesperada

com um sorriso sem graça

e uma calça surrada

Esperando meu trem chegar

Para eu embarcar

Em um novo caminhar

Cansei de estradas incertas

Quero uma linha reta

Sem surpresas a cada passo

Preciso de alguém que não me tire sarro

Nem ria das minhas escolhas equivocadas,

das minhas inúmeras mancadas,

das minhas poesias falhadas,

das minhas idéias desengonçadas

da minha vida desgovernada

A agonia me consome

A esperança me escapole

E o dia, meio que some

Em tempestade de dúvida

Que nubla e faz pesar o ar

Mas eu não tenho culpa

De querer ver minha vida engrenar

E dar lugar a novos ventos

Que mudem meus pensamentos

E os móveis da minha sala de estar

Não quero me contentar com migalhas

Mas não vou puxar a navalha

Vim buscar o que mereço

Carreira, amor e endereço

Mas não pagarei qualquer preço

Pois reconheço

Que o que acalma a minha alma

É a alegria de deitar,

De sonhar,

Sem ter que brigar

Sem sentir, nem causar, qualquer mal-estar